O aplicativo tocou mais uma vez, bora pra luta: já são 18h, a janta vai começar. Enquanto muitos saboreiam uma refeição quente, quem entrega enfrenta uma rotina exaustiva e arriscada. Em uma sociedade que dita regras por hierarquia, entregadores são vistos apenas como peças funcionais, muitas vezes tratados como serviçais, invisíveis e descartáveis.
Quando você pede sua refeição pelo aplicativo, a entrega pode atrasar ou chegar mais rápido. Mas pouco se pensa em quem está por trás disso: alguém que saiu para buscar sua comida, mesmo sem tempo para almoçar ou jantar. Autônomos que enfrentam uma rotina de cansaço, exaustão e luta contra o relógio, correndo para alcançar metas diárias e garantir cada centavo extra no bolso. Aqueles 2, 3 reais no fim do dia fazem toda a diferença para quem vive na corda bamba financeira.
Segundo o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), são cerca de 455 mil entregadores de moto e bicicleta no Brasil, número que cresceu 18% nos últimos dois anos. Esse crescimento não é sinônimo de melhoria: revela uma expansão forçada, onde a precariedade e a invisibilidade seguem como regra.
Além disso, esses trabalhadores enfrentam perigos constantes no trânsito e altos custos de manutenção das motos, como combustível, peças e seguros, que muitas vezes comprometem seus ganhos. Por isso, reivindicam melhores condições de trabalho, remuneração justa, proteção social, segurança no trânsito e transparência na gestão dos aplicativos.
E o pior? Não é só a sociedade que os ignora. As empresas por trás dos aplicativos fazem pouco para garantir condições dignas. Mantêm um modelo que explora a mão de obra essencial, enquanto lavam as mãos sobre as dificuldades enfrentadas por esses trabalhadores.
Quem ajuda a matar sua fome está com a barriga vazia. Essa é a dura realidade que precisamos enfrentar, enquanto consumimos, muitas vezes de forma confortável e esquecida, o trabalho invisível que sustenta o delivery.
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