O tradicional monitoramento anual da camada de ozônio trouxe, enfim, uma boa notícia para o planeta. O buraco sobre a Antártida, fenômeno observado desde os anos 1980, apresentou em 2025 sua menor extensão e também a duração mais curta dos últimos cinco anos, indicando sinais concretos de recuperação ambiental. Os dados fazem parte de um boletim divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Copernicus, o serviço de observação climática da União Europeia.
Segundo o relatório, o buraco começou a se formar em agosto, como ocorre todos os anos durante o inverno antártico, mas encerrou-se rapidamente e atingiu dimensões muito inferiores às registradas entre 2020 e 2023 — período marcado por buracos maiores, mais duradouros e de fechamento tardio.
“É um marco animador. O tamanho reduzido e o encerramento precoce do buraco em 2025 confirmam um avanço consistente rumo à recuperação total da camada de ozônio”, destacou Laurence Rouil, diretora do Serviço de Monitoramento da Atmosfera do Copernicus (CAMS). Para ela, o progresso é resultado direto de um esforço global sem precedentes.
Protocolo de Montréal: a política pública que funcionou
A cientista reforça que o avanço não é obra do acaso. Ele é consequência do Protocolo de Montréal, assinado em 1987 e atualmente ratificado por 198 países — um acordo que determinou a eliminação progressiva de substâncias químicas capazes de destruir o ozônio, como CFCs e brometo de metila. Mais de 99% desses compostos já foram banidos do mercado global.
“É uma conquista que mostra o poder da ação coletiva. Quando o mundo decide enfrentar um problema ambiental com seriedade, os resultados aparecem”, afirmou Rouil.
Do alerta ao alívio
Entre 2020 e 2023, o buraco antártico causou preocupação entre especialistas por sua extensão recorde. Em 2020, por exemplo, ele só se fechou em 28 de dezembro, o fechamento mais tardio já registrado. Pesquisadores apontam que fenômenos climáticos extremos e até eventos vulcânicos — como a gigantesca erupção do Hunga Tonga-Hunga Ha’apai em 2022 — podem ter interferido na dinâmica atmosférica e atrasado o processo de recuperação.
O panorama de 2025, porém, quebrou essa sequência negativa: o fechamento ocorreu em 1º de dezembro, o mais precoce desde 2019, e com concentrações mais elevadas de ozônio.
Um futuro sem buracos?
O avanço reforça previsões já feitas por organismos científicos internacionais. Relatório publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em setembro prevê que a camada pode retornar aos níveis pré-1980 até 2050, caso as políticas globais sejam mantidas.
Além disso, o estudo do Copernicus registrou resultados positivos no Hemisfério Norte: no Ártico, a espessura do ozônio em março de 2024 foi 14% maior que a média histórica para a região.
A recuperação da camada de ozônio não é apenas uma vitória ambiental — é um ganho direto para a saúde humana e para a biodiversidade. Com o retorno aos índices seguros, caem os riscos de câncer de pele, catarata, danos ao DNA, impactos sobre plantas e desequilíbrios em ecossistemas inteiros.
Um lembrete para o planeta
Se a destruição do ozônio foi um símbolo dos excessos industriais do século passado, sua recuperação se tornou o maior exemplo de como acordos ambientais globais são capazes de mudar destinos. Em tempos de retrocessos climáticos, o buraco da Antártida que encolhe é, ironicamente, uma grande abertura para a esperança.
Com informações do Observatório do Clima.
Foto: Reprodução/Green Business Post



