Mais de uma década depois de ser anunciada como um projeto que transformaria a mobilidade da zona oeste, a Linha 22-Marrom ainda é uma promessa distante. Prevista para ligar São Paulo a Cotia e atender cerca de 650 mil passageiros por dia, a linha volta ao noticiário — mas não por avanços.
Desta vez, o impasse vem de dentro do próprio processo de licitação. Um recurso administrativo apresentado por um dos consórcios participantes pode atrasar ainda mais os estudos técnicos que serviriam de base para o projeto.
O Consórcio FG-Planal contesta o resultado da licitação nº 10021516, que definiria a empresa responsável por realizar sondagens de solo, investigações geotécnicas e cadastramento das redes de utilidade pública. Segundo o grupo, a vencedora do processo, A1MC Projetos Ltda, teria entregado documentos obrigatórios fora do prazo, o que a tornaria inabilitada.
Apesar disso, o Metrô teria permitido a complementação da documentação após o prazo original — decisão que o consórcio agora pede que seja anulada, o que obrigaria a abertura de uma nova seleção.
Enquanto o embate segue sem desfecho, o cronograma da Linha 22-Marrom fica novamente em suspenso. A sessão de entrega das propostas, prevista para setembro, ocorreu, mas o resultado oficial nunca foi publicado no site da companhia.
A linha que ficou no papel
Nos planos iniciais, a Linha 22-Marrom teria 29 km de extensão, 19 estações e um pátio com capacidade para 52 trens. O trajeto conectaria regiões da zona oeste de São Paulo até o centro de Cotia, com paradas no Terminal Metropolitano, Vila Santo Antônio, Sabiá, Parque Alexandra, Estrada do Embu, Mesopotâmia e Granja Viana.
O projeto sempre foi visto como estratégico para desafogar o trânsito da Rodovia Raposo Tavares, uma das mais congestionadas da Grande São Paulo. Mas, por enquanto, o que existe são estudos, promessas e atrasos.
A cada novo anúncio, cresce a expectativa de quem depende de horas diárias de deslocamento entre Cotia e a capital. Porém, entre papéis, licitações e recursos, a Linha 22-Marrom segue parada — no papel e no tempo.
Com informações do Cotia & Cia.
Foto: Gregorio Murilo S. C.



