São Paulo registra recorde histórico de feminicídios em 2025, com uma mulher morta a cada 33 horas

Estado contabiliza 266 assassinatos de mulheres no ano passado, maior número desde 2018, enquanto especialistas alertam para falhas estruturais no enfrentamento da violência de gênero

O estado de São Paulo bateu um novo recorde de feminicídios em 2025, com 266 mulheres assassinadas por violência de gênero entre os meses de janeiro e dezembro – uma média de um caso a cada 33 horas. Os números foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) e representam o maior total desde o início da série histórica em 2018.

O aumento é expressivo: em 2024, foram registrados 246 feminicídios, o que indica um crescimento de mais de 8% em apenas um ano. As formas de ataque foram brutalmente diversas e violentas, incluindo atropelamentos, agressões com arma de fogo e outros crimes cometidos na maioria das vezes por ex-companheiros ou parceiros íntimos.

Casos emblemáticos, como o de Tainara Souza Santos (que teve as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada) e Evelyn de Souza Saraiva (baleada dentro de seu local de trabalho), ilustram a gravidade da situação no estado.

Feminicídio também cresce na capital

A cidade de São Paulo também registrou um aumento preocupante nos casos de feminicídio, alcançando 60 ocorrências em 2025, ante 49 em 2024 — um crescimento de mais de 22%. Trata-se do maior número desde o início dos levantamentos.

Dados históricos da capital mostram a evolução ano a ano:

2018: 29 casos
2019: 44 casos
2020: 40 casos
2021: 33 casos
2022: 41 casos
2023: 38 casos
2024: 49 casos
2025: 60 casos

Resposta do governo e políticas públicas

Em nota, a SSP-SP afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher é “prioridade do Governo de São Paulo”, destacando uma política integrada de prevenção, proteção e resposta rápida. Entre as ações citadas estão programas como o Protocolo Não se Cale, o App Mulher Segura, uso de tornozeleiras eletrônicas em agressores, além da expansão de Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e criação de Casas da Mulher Paulista.

Segundo a SSP, os investimentos em ações específicas de proteção às mulheres cresceram 231,4% entre 2023 e 2025, passando de R$ 3,5 milhões para R$ 11,8 milhões. O orçamento para 2026 prevê mais de R$ 468 milhões para instalação e melhorias em DDMs, Salas DDM 24h e outras políticas de acolhimento e proteção.

Desafios estruturais e sinais de alerta

Apesar do fortalecimento das redes de atendimento e proteção, especialistas alertam que os números refletem falhas estruturais profundas no enfrentamento da violência de gênero. Para a promotora Fabíola Sucasas (MP-SP), o combate ao feminicídio exige foco no agressor, proteção efetiva às vítimas, educação e orçamento público adequado — elementos que muitas vezes ficam aquém do necessário.

A delegada Eugênia Villa, que criou a primeira DDM brasileira, destaca a necessidade de ações que vão além da punição penal: “O freio inibidor para um potencial feminicida é a prisão imediata e a inserção em programas que promovam reflexão sobre masculinidades e relações de poder”, afirma.

Pesquisadores também apontam que medidas isoladas não são suficientes para transformar comportamentos e prevenir reincidências. A educação com perspectiva de gênero, com início em escolas e comunidades, é apontada como eixo central para mudanças duradouras.

Onde pedir ajuda

A lei garante que mulheres vítimas de violência não estão sozinhas. Canais de apoio e denúncia incluem:

📞 180 – Central de Atendimento à Mulher (24h)
🚨 190 – Polícia Militar (em situações de emergência)
🏛️ Delegacias de Defesa da Mulher (DDM)
💻 Delegacia Eletrônica (para registro de ocorrência online)
⚖️ Defensoria Pública
🤝 Centros de Referência da Mulher (CRAM)

O recorde de feminicídios em São Paulo em 2025 escancara a urgência de políticas públicas mais efetivas e integradas, além de uma transformação cultural profunda para combater a violência machista em todas as suas formas — longe das estatísticas e dentro da vida real de mulheres brasileiras.

Com informações da Secretaria da Segurança Pública.

Imagem: Divulgação/GloboG1

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