Julgamento de Bolsonaro é um marco histórico contra o golpismo no Brasil

Nesta terça-feira, 2 de setembro de 2025, começa no STF o julgamento de Bolsonaro e de seus cúmplices mais próximos. Não se trata de um processo comum, mas de um divisor de águas para a democracia brasileira.

Pela primeira vez em nossa história, um ex-presidente da República senta no banco dos réus acusado de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada. Ao seu lado figuram Walter Braga Netto (ex-ministro e general), Augusto Heleno, Alexandre Ramagem, Anderson Torres, Almir Garnier, Paulo Sérgio Nogueira, Mauro Cid (este último sabendo-se delator) que tramaram, com ele, a ruptura institucional após a derrota nas urnas em 2022.

A gravidade dos crimes é incontestável. A minuta golpista, os planos revelados por delatores, a articulação com setores militares e policiais e a campanha de fake news contra o sistema eleitoral mostra um enredo de conspiração digno de cinema e que não pode ser relativizado. Bolsonaro e seus aliados tentaram concretizar o autoritarismo.

O peso histórico dessas condenações (caso sejam efetivadas) não se refere apenas aos indivíduos, mas um projeto de poder que colocou o Brasil à beira do abismo. Julga a tentativa de transformar o país em refém do ódio, da mentira e da violência institucionalizada.

Uma eventual absolvição, ainda que improvável diante de provas tão contundentes, seria uma mensagem perigosa: a de que presidentes e generais podem atentar contra a democracia sem pagar o preço. A condenação, por outro lado, cumpre uma função pedagógica e histórica: afirmar que ninguém está acima da lei e que a democracia brasileira não tolerará novos aventureiros.

A prisão de Jair Bolsonaro, se confirmada, não será vingança, como muitos acreditam, mas justiça. O país precisa de um marco que encerre o ciclo do golpismo como método político. É indispensável para restaurar a confiança nas instituições, desestimular novas conspirações e mostrar às futuras gerações que democracia não se negocia.

Bolsonaro deixou como legado fome, miséria, centenas de milhares de mortes na pandemia, destruição ambiental e um exército de fanáticos mobilizados contra a razão. Se não houver responsabilização, abre-se um perigoso precedente para que o autoritarismo retorne sob outras máscaras.

Entre os dias 2 e 12 de setembro, os olhos do Brasil e do mundo estarão voltados para o Supremo. O resultado deste julgamento definirá não apenas o destino de Bolsonaro e seus cúmplices, mas a credibilidade de nossa democracia.

A história julgará também o Supremo. E, desta vez, não há margem para hesitação: o Brasil precisa da condenação de Jair Bolsonaro para virar a página do golpismo e reafirmar que a democracia é inegociável.

Marilu Rodrigues Cientista política, professora, feminista, progressista e entusiasta por um mundo socialmente mais justo e igualitário.
Redes sociais:
Twitter: @MariluPamc, Instagram: @marilurcampos, Facebook: marilu.rodrigues.355

 

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3 COMENTÁRIOS

  1. É isso. Mais que um julgamento, um divisor de águas. Entretanto, a mobilização tem de ser constante para que o povo não seja atropelado pelo ônibus do Centrão, via congresso nacional.

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